domingo, 22 de maio de 2016

Um dia vamos mudar a Educação de Infância...



As canetas darão lugar aos pincéis. 


Os lápis caídos da mão à tinta pelo chão.


Haverá cor, muita cor... E não estou a falar de coisas e coisinhas, bonecos e bonequinhas, penduradas ao redor. 



Os painéis aprumados, tão bem arranjados, darão lugar a paredes que reflitam as vozes das crianças. Só das crianças. (e os trabalhinhos que tão bem sabemos propor não contam!)


As trezentas e sessenta e sete datas do calendário servirão apenas para termos a certeza do caminho que não queremos seguir.


Haverá terra, muita terra. Saídas na serra. Haverá céu e chão. Passeios no paredão.


E em cada criança haverá um cidadão com uma voz na multidão.


Haverá vida. Sim, haverá vida. E se o mundo é feito de vida, por que não senti-la? Vivê-la?


Haverão lutas no dia-a-dia sem medo de ferir alguma pedagogia. Com espadas e canhões. Polícias e ladrões. Príncipes que salvam princesas… presas em castelos ou fortalezas!


As árvores substituirão escorregas… e os seus ramos, mesmo que estreitos, darão baloiços perfeitos.


O piso sintético será...verde relva... a qual as crianças utilizarão como uma autêntica selva.


As festas acabarão...à exceção das que são feitas na cara e que tocam o coração. Festas no reino da emoção!


As mesas servirão apenas para trabalhar matemática… de forma acrobática... Em cima da mesa, em baixo da mesa, de cima para baixo, de baixo para cima... e para saltar de um penhasco para um lago de crocodilos ferozes! Sem medos, receios, dúvidas ou anseios.


As cadeiras serão trampolins que as farão saltar...para um mundo que as fará acordar. E sonhar… sonhar! Oh, sonhar!


Os grafismos irão desaparecer a cada amanhecer. E se não desaparecerem, que sejam feitos enquanto seguimos a trajetória do vento. Temos tempo.


E os número servirão apenas para contabilizar (e valorizar) o tempo em que as crianças não estiveram a raciocinar (com lápis na mão... papel na mesa... e contar, contar, contar... desenfreadamente contar, contar, contar... será tão difícil perceber que não é assim que se aprende a pensar?).



O tempo de recreio vai acabar. E com ele os joguinhos orientadinhos que promovam competenciazinhas…. Muitas vezes camufladas de brincar. (Calma, estou a falar de recreio. Não de exterior!).


Os desenhos todos iguais, os quadrados, as atividadezinhas onde todos fazem o mesmo, e essas coisinhas assim, que em nada potenciam o desenvolvimento da personalidade das crianças também desaparecerão… e não preciso justificar a razão. 


Os robots que a cada dia tentamos construir darão lugar a crianças... Crianças que saibam sorrir!


Em vez de robots estereotipados, seres formatados... Crianças que saibam optar, criar e criticar, pensar, inventar e fazer, experimentar... opinar...viver!


A reprodução dará lugar à criação. Com criação haverá criatividade. Independentemente da idade.


O azul para meninos e o rosa para meninas… Essas cores que tão bem determinas... Esqueçamos essas doutrinas.


E o papel... Ai o papel...esse será apenas utilizado por mim...só porque tem de ser assim...e porque alguém manda em mim.


E os pais irão deixar de olhar para a sujidade. Deixarão de perguntar pelo seu comportamento como se de um animal de estimação se tratasse.


Os pais....A primeira coisa que os pais perguntarão, quando as forem buscar, será:
- Foste feliz hoje?
E elas responderão, com um singular brilho no olhar:
- Sim, hoje fui muito feliz!


Sim, para serem felizes. Mudemos a Educação de Infância para que elas sejam, acima de tudo, crianças! 
Se as deixarmos serem crianças, serão naturalmente felizes!


E ser feliz... não é o mais importante?



Um Educador de Infância,
Fábio Gonçalves

5 comentários:

  1. Como já dizia Sebastião da Gama " Pelo sonho é que vamos..." porque o mais importante é mesmo Ser feliz.

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  2. Como sempre o Fábio chega à essência da questão. Sempre que leio um texto seu apaixono me, revejo a ideia simples e natural que tinha quando tirei o curso e que pela conveniência fui levada a esquecer...sabe bem estas chamadas de atenção. Façamos das nossas crianças seres felizes, pois é tudo o que verdadeiramente interessa.

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  3. Há muito tempo que não escutava palavras com sentido de sentir e que falam do carinho de estar e de educar. Porque para bem educar é preciso Estar e SER, com vontade de SER FELIZ! Gostei muito e desejo que a acção seja tão bonita quanto as palavras deixaram antever.

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  4. Que maravilha de blog, ótimo que exista pessoas tão dedicadas assim,com nossas crianças PARABENS Cristina!!!

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