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ENSINA-ME A BRINCAR: Carta de uma criança atarefada.. ada ada ada!

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Gosto de ti. Quero começar por dizer-te que... gosto tanto de ti! Não é da mesma forma que gosto do meu pai ou da minha mãe, do meu cão ou do meu gato, nem será da mesma forma que gosto do meu peluche preferido ou da fralda à qual me agarro todas as noites antes de adormecer. Gosto de ti de uma forma diferente. Um gostar diferente num amor desmedido. Gosto de te ver todos os dias atarefado/a, de um lado para o outro e de um outro para o lado, com atividades, tarefas e experiências que religiosamente preparas para mim e para os meus amigos. Preocupas-te tanto connosco. Todos os dias tens algo novo para me oferecer. Contigo aprendo tanto! Lembras-te daquela atividade em que tivemos de escrever uma história sobre o sapo e o rato? Depois pediste-nos para desenhar a história. Eu fiz um desenho e tu disseste-me “Que lindo”. Aliás, tu dizes sempre “Que lindo”. E eu gosto quando me dizes “Que lindo!”. Contigo começo sempre o meu dia a 120km/h em rotinas e marcações, com cr...

Ser Educador de Infância...

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É amar vinte e cinco crianças de vinte e cinco formas diferentes. É agarrar a oportunidade de dar oportunidades. É dar tudo de nós, mesmo nos dias em que só queremos estar a sós. É sorrir quando nos apetece chorar. É dizer «não» quando querem que digamos «sim». É sair fora do quadrado. É estar dentro da caixa e fugir. Saltar. Partir. É perceber o quanto as crianças nos ensinam quando queremos que estejam a aprender. É saborear as paixões diárias que nos são trazidas nas palmas das suas mãos. É olhar para os olhos de uma criança só para os ver brilhar. É sentir um sorriso com o coração. E sentir o palpitar do coração num sorriso singelo. É atirá-las para o ar e fazê-las pensar que vão para a lua. É deixá-las correr, arranhar os joelhos, esfolar os cotovelos,  deixá-las cair … abraçá-las a seguir. É limpar uma lágrima e senti-la… mesmo na ponta dos nossos dedos. É caminhar, para a frente e para trás… lado a lado. É abrir a ...

Carta aberta de um Educador de Infância: Quando as crianças me ralham!

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Elas ralham-me. Todos os dias, sem exceção, as crianças ralham-me. Ralham-me quando não as ouço. E eu até gosto de as ouvir. Mas às vezes há coisas mais importantes para fazer ou papéis para preencher. Ralham-me quando sugiro que se sentem com a entoação do verbo “mandar”. Ralham-me quando não como os bolos de plasticina que meticulosa e delicadamente preparam para mim… porque, segundo eu próprio, os bolos fazem mal à barriga. Ralham-me quando não me sento a ler-lhes uma história. Não, não é isso… histórias eu leio, todas as semanas, todos os dias… estou a falar daquelas histórias ouvidas ao colo… aconchegados no conforto e na simplicidade de uma biblioteca, ao som da melodia de um terno abraço. Ralham-me quando não lhes desperto aquele gosto pela leitura… aquele gosto que tão poucos reconhecem e tantos desconhecem! Ralham-me quando lhes digo que sim, só porque sim e lhes digo que não, só porque não. Ralham-me quando não lhes explico ou lhes dou uma ra...

O primeiro dia dos melhores dias da sua vida!

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Algumas acabam de chegar junto a ti. Não as conheces. Não te conhecem. Serás um estranho na vida de um ser de palmo e meio que, logo ali, começas a amar!     Claro que há crianças e crianças. Algumas trazem o mundo na ponta da língua . Mas para essas será um reencontro, o tão aguardado reencontro: com os brinquedos, com um espaço que é tão delas, com os amigos. O reencontro contigo! As crianças que carregam o mundo na ponta da língua chegam apressadas e sorridentes, prontas para te contarem as 3765 aventuras das suas férias. E tu vais querer falar e não te vão deixar!     Há crianças e crianças. Algumas trazem o mundo dentro de um pequeno coração . Essas já te conhecem. Já te amam. Mas o regresso àquele seu mundo é sempre um momento um tanto ou quanto difícil. Doloroso mas passageiro. Rapidamente regressam às rotinas. À vida! Rapidamente voltam a ser felizes num tempo e num espaço que as faz demasiadamente felizes! E contigo elas são felizes! ...

Um dia elas [as crianças!] vão ensinar-te...

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Que o mundo cabe na palma da tua mão. E que o mundo é tal e qual como elas o pintam. Que o amor não cabe dentro de quatro paredes. E o amor que sentem por ti quase que não cabe dentro do seu pequeno coração. E quando não acreditares no amor… Terás 25 crianças a amar-te um bocadinho todos os dias! E a cada dia amar-te-ão mais. E aí... não haverá forma de não acreditares. Vão ensinar-te que os dias amargos também existem. Mas em todos eles terás um sorriso puro e sincero à tua espera. E que nos dias de chuva serás iluminada/o pelo brilho de cada uma! Que mesmo fechadas todas as portas e todas as janelas… Facilmente conseguimos viajar para outros “mundos”. Pelos livros, pelas fadas, pela vida... Que não tens 25 filhos. Mas o amor que colocas naquilo que fazes é tanto, tanto! Que aquela coisa a que chamas “birra” acaba com amor… E com um abraço. Um doce e terno abraço! Que tudo o que fazes é bem feito. Porque elas confiam e acreditam em ti... Bem mais do que no Pai Natal! Por isto... merec...

Lembro-me dos anos que foram vividos em dias!

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Lembro-me… Do vosso cheiro. Dos gestos. Dos vossos medos incertos. De um espírito aventureiro. Tão próprio. Tão vosso. Tão nosso. Lembro-me da vossa garra. Da algazarra. Lembro-me de ser Cigarra, De convosco tocar guitarra. Lembro-me de serem formigas E da vossa disputa sobre quem… distribuía a fruta. Lembro-me do primeiro desenho. De um tão hábil empenho. Do engenho. E da delícia do vosso sotaque nortenho. Até me lembro da vossa figura humana. De vos ter comigo em cada dia da semana. Lembro-me de vos ter comigo. Simplesmente, comigo. Tão meus. Tão vosso. Tudo tão nosso. Lembro-me das primeiras letras esculpidas. E das vossas almas despidas. Sem nunca esquecer. Sem segredos. Sem esconder.   Sem nunca vos perder. Lembro-me dos segredos. Lembro-me das palavras. Sim, lembro-me das vossas palavras. Lembro-me do “cada um faz como quiser!” Lembro-me do “Nós não andamos de mãos dadas”. Haja o qu...