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EDUCAÇÃO DE INFÂNCIA, CURRÍCULO E FESTIVIDADES!

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  A especificidade da Educação de Infância em relação aos outros níveis educativos diferencia-se, sobretudo, pela existência de um currículo aberto e flexível. Por este motivo, a construção e desenvolvimento curricular está dependente de algumas variáveis: as crianças; o educador de infância e o seu modo de fazer pedagógico; o contexto sociocultural; os normativos legais; entre outras. Partindo da premissa anterior, percebemos que cada contexto e cada grupo de crianças é único, e o currículo que se desenvolve em cada sala é singular e ajustado a uma realidade em particular, pelo que nem sempre é possível ser reproduzido.  Em Educação de Infância não existe um currículo pronto-a-vestir. Por não haver programas, conteúdos ou temas obrigatórios e transversais ao trabalho de todos os educadores de infância, importa que estes, enquanto gestores desse currículo, pensem nas propostas didáticas com uma intencionalidade educativa. Enquanto educadores, devemos aproveitar algumas...

PORQUÊ QUE AINDA HÁ CRIANÇAS DE 1, 2 ou 3 ANOS A PINTAR DESENHOS?

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  Já nem me refiro aquelas que têm mais de 3 anos!  O que é que aprende uma criança de um ano ao pintar o desenho, por exemplo, de uma folha de outono? Uma criança que esteja no intervalo etário mencionado, tem consciência sobre aquilo que é o “pintar por dentro”? E mesmo que não tenham de “pintar por dentro”, porquê que usamos o desenho como forma de expressão da criança? A expressão não deveria ser livre? Ainda mais em crianças destas idades? Caberá numa folha A4 a expressão de uma criança pequena? Porquê (e para quê) que afixamos 15 folhas exatamente iguais na sala? Se são todas iguais, não bastaria apenas uma? Será que o facto de cada criança pintar o seu desenho, demonstra que tiveram uma participação ativa? Quando propomos um desenho a uma criança pequena, pretendemos que a criança seja criativa ou que se limite a fazer algo instruído? Como é que através da pintura de um desenho as crianças desenvolvem o traço e percebem o seu desenvolvimento? A terem de pi...

E SE UMA CRIANÇA BRINCAR SEMPRE NA MESMA ÁREA?

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Uma das competências que deve ser inata ao exercício da profissão do Educador de Infância é a observação. Observamos para planear, para agir e avaliar, em ciclos que se sustentam e sucedem. A observação que fazemos das crianças, no geral, e de cada criança, em particular, é a base que suporta e fundamenta a nossa intencionalidade educativa. A observação vai além daquilo que é o ato de olhar e ver. Apesar de ser um conceito aparentemente simples, a verdade é que em Educação de Infância, pela sua importância e transversalidade, a observação representa um tema vasto, que se torna difícil abordar em meia dúzia de parágrafos. Ainda assim, atrevo-me a fazê-lo, já que me parece pertinente refletir sobre a sua importância no nosso dia-a-dia, em particular sobre a nossa implicação nas escolhas das crianças. Diariamente somos confrontados com uma criança que gosta de brincar mais na área dos jogos; outra que prefere fazer construções tridimensionais; umas que se sentem mais predispostas pa...

Tributo aos Educadores de Infância

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Um Educador de Infância não é engenheiro, arquiteto, músico ou escultor. Não é médico nem bombeiro… E por muito que às vezes pareça, também não é enfermeiro. Um Educador é um Educador.  É aquele que consegue amar 25 crianças com um amor sem medida… Um amor que todos os anos vai e que todos os anos vem renovado sob a forma de novas mãos curiosas… Olhares atentos… Sorrisos contagiantes... pernas saltitantes! É aquele que lê histórias. Que as sente e saboreia. Que as vive como uma epopeia! Que toma no seu colo a vida no seu estado mais puro, abraçando a vida nos seus braços. E mesmo que os braços teimem em ter cada vez menos força, por força do tempo, abraça sempre. Todos os dias! Pelas histórias pinta a vida de um modo singelo, em tons de azul e amarelo. Verde e vermelho. É aquele que em cada palavra tem um bom conselho. Ele dá a palavra e fomenta; dá voz e escuta... não desiste e vai a luta. É aquele que promove. O que dá asas e se comove: quando faz voar e p...

Um dia vamos mudar a Educação de Infância...

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As canetas darão lugar aos pincéis.  Os lápis caídos da mão à tinta pelo chão. Haverá cor, muita cor... E não estou a falar de coisas e coisinhas, bonecos e bonequinhas, penduradas ao redor.  Os  painéis  aprumados, tão bem arranjados, darão lugar a paredes que reflitam as vozes das crianças. Só das crianças. (e os trabalhinhos que tão bem sabemos propor não contam!) As trezentas e sessenta e sete datas do calendário servirão apenas para termos a certeza do caminho que não queremos seguir. Haverá terra, muita terra. Saídas na serra. Haverá céu e chão. Passeios no paredão. E em cada criança haverá um cidadão com uma voz na multidão. Haverá vida. Sim, haverá vida. E se o mundo é feito de vida, por que não senti-la? Vivê-la? Haverá lutas no dia-a-dia sem medo de ferir alguma pedagogia. Com espadas e canhões. Polícias e ladrões. Príncipes que salvam princesas… presas em castelos ou fortalezas! As árvores substituirão escorregas… e os seus ramos,...

Quero fazer-vos sorrir, mais uma vez…

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Hoje não me vou preocupar com as presenças. Vocês nem sabem muito bem o porquê de, diariamente, fazerem uma cruz num quadro que não vos diz nada, ao qual não lhes dão qualquer utilidade, muito menos significado. Talvez nem eu. Não, hoje não. Hoje não me vou preocupar. Hoje também não quero que registem o tempo. Hoje quero apenas que o sintam. E também não quero que se preocupem com matemática quando estiverem a contar os dias de sol, os dias de chuva, os dias de nevoeiro, os dias de seca…. Hoje também não quero responsáveis. Voltemos ao antigamente e votemos de braço no ar…. na ação. No momento. Para cada situação! Hoje não vos quero ver com cara de bola: ora verdes, ora vermelhas e, quando calha, amarelas. Não. Hoje quero olhar para vocês além daquilo que vocês fazem, muito mais além daquilo que é o vosso comportamento. Quero olhar para aquilo que são. Não. Hoje não quero limitar o número de crianças que brincam nas vossas áreas. Sim, vossas... ...

Ser Educador de Infância...

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É amar vinte e cinco crianças de vinte e cinco formas diferentes. É agarrar a oportunidade de dar oportunidades. É dar tudo de nós, mesmo nos dias em que só queremos estar a sós. É sorrir quando nos apetece chorar. É dizer «não» quando querem que digamos «sim». É sair fora do quadrado. É estar dentro da caixa e fugir. Saltar. Partir. É perceber o quanto as crianças nos ensinam quando queremos que estejam a aprender. É saborear as paixões diárias que nos são trazidas nas palmas das suas mãos. É olhar para os olhos de uma criança só para os ver brilhar. É sentir um sorriso com o coração. E sentir o palpitar do coração num sorriso singelo. É atirá-las para o ar e fazê-las pensar que vão para a lua. É deixá-las correr, arranhar os joelhos, esfolar os cotovelos,  deixá-las cair … abraçá-las a seguir. É limpar uma lágrima e senti-la… mesmo na ponta dos nossos dedos. É caminhar, para a frente e para trás… lado a lado. É abrir a ...

Carta aberta de um Educador de Infância: Quando as crianças me ralham!

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Elas ralham-me. Todos os dias, sem exceção, as crianças ralham-me. Ralham-me quando não as ouço. E eu até gosto de as ouvir. Mas às vezes há coisas mais importantes para fazer ou papéis para preencher. Ralham-me quando sugiro que se sentem com a entoação do verbo “mandar”. Ralham-me quando não como os bolos de plasticina que meticulosa e delicadamente preparam para mim… porque, segundo eu próprio, os bolos fazem mal à barriga. Ralham-me quando não me sento a ler-lhes uma história. Não, não é isso… histórias eu leio, todas as semanas, todos os dias… estou a falar daquelas histórias ouvidas ao colo… aconchegados no conforto e na simplicidade de uma biblioteca, ao som da melodia de um terno abraço. Ralham-me quando não lhes desperto aquele gosto pela leitura… aquele gosto que tão poucos reconhecem e tantos desconhecem! Ralham-me quando lhes digo que sim, só porque sim e lhes digo que não, só porque não. Ralham-me quando não lhes explico ou lhes dou uma ra...