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Carta aberta de uma criança a um Educador que faz a diferença

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  Há dias em que chego a sorrir. Noutros venho com tanta energia que dificilmente alguém me conseguirá parar. Mas por vezes também chego triste, com algumas lágrimas a cair pelo rosto… aí o teu abraço faz toda a diferença no meu dia. É por isto que preciso de ti, para que faças a diferença na minha vida, não só quando chego pela manhã, mas em todas as horas e todos os dias em que estou e sou contigo. Sim, mais do que estar, preciso que me permitas ser. Aquilo que um dia serei começou a ser construído durante o tempo em que estive contigo. Por isso não olhes para mim apenas como “mais uma criança”. Quando crescer não quer ser apenas “mais um adulto”.   Sei que não tens tempo para me dar toda a atenção que, na verdade, gostava de ter, porque somos muitos e tu és apenas uma pessoa. Eu compreendo, não julgo e não cobro. Mas tenho de confessar que gosto quando em algum momento do dia me dás uns segundos da tua atenção sincera. Às vezes basta que repares na camisola nova que t...

PORQUÊ QUE AINDA HÁ CRIANÇAS DE 1, 2 ou 3 ANOS A PINTAR DESENHOS?

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  Já nem me refiro aquelas que têm mais de 3 anos!  O que é que aprende uma criança de um ano ao pintar o desenho, por exemplo, de uma folha de outono? Uma criança que esteja no intervalo etário mencionado, tem consciência sobre aquilo que é o “pintar por dentro”? E mesmo que não tenham de “pintar por dentro”, porquê que usamos o desenho como forma de expressão da criança? A expressão não deveria ser livre? Ainda mais em crianças destas idades? Caberá numa folha A4 a expressão de uma criança pequena? Porquê (e para quê) que afixamos 15 folhas exatamente iguais na sala? Se são todas iguais, não bastaria apenas uma? Será que o facto de cada criança pintar o seu desenho, demonstra que tiveram uma participação ativa? Quando propomos um desenho a uma criança pequena, pretendemos que a criança seja criativa ou que se limite a fazer algo instruído? Como é que através da pintura de um desenho as crianças desenvolvem o traço e percebem o seu desenvolvimento? A terem de pi...

E SE UMA CRIANÇA BRINCAR SEMPRE NA MESMA ÁREA?

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Uma das competências que deve ser inata ao exercício da profissão do Educador de Infância é a observação. Observamos para planear, para agir e avaliar, em ciclos que se sustentam e sucedem. A observação que fazemos das crianças, no geral, e de cada criança, em particular, é a base que suporta e fundamenta a nossa intencionalidade educativa. A observação vai além daquilo que é o ato de olhar e ver. Apesar de ser um conceito aparentemente simples, a verdade é que em Educação de Infância, pela sua importância e transversalidade, a observação representa um tema vasto, que se torna difícil abordar em meia dúzia de parágrafos. Ainda assim, atrevo-me a fazê-lo, já que me parece pertinente refletir sobre a sua importância no nosso dia-a-dia, em particular sobre a nossa implicação nas escolhas das crianças. Diariamente somos confrontados com uma criança que gosta de brincar mais na área dos jogos; outra que prefere fazer construções tridimensionais; umas que se sentem mais predispostas pa...

O natal, os enfeites e a intencionalidade educativa

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  O que diferencia um Educador de Infância de outro profissional pode resumir-se, entre outras, a duas palavras: INTENCIONALIDADE EDUCATIVA.   O Natal está a chegar e é natural que o espírito natalício invada as creches, os jardins-de-infância e as escolas: pela voz das crianças, dos educadores… pela sociedade que já respira Natal.   Enquanto educadores, cabe-nos atribuir uma intencionalidade àquilo que fazemos com as crianças ou pretendemos que façam: trabalhar o Natal com objetivos pedagógicos e não meramente decorativos – por muito que a decoração até possa e tenha que acontecer!   O problema não é a decoração, mas sim a forma como ela surge nas salas e é apresentada às crianças (quando é apresentada!). Ainda que possamos assumir que o Natal seja um interesse dos mais pequenos, importa que as nossas práticas tenham uma intencionalidade maior do que transformar a sala num atelier de construção de coisas e coisinhas natalícias para “enfeitar”. Coisas e coisinhas tai...

Tributo aos Educadores de Infância

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Um Educador de Infância não é engenheiro, arquiteto, músico ou escultor. Não é médico nem bombeiro… E por muito que às vezes pareça, também não é enfermeiro. Um Educador é um Educador.  É aquele que consegue amar 25 crianças com um amor sem medida… Um amor que todos os anos vai e que todos os anos vem renovado sob a forma de novas mãos curiosas… Olhares atentos… Sorrisos contagiantes... pernas saltitantes! É aquele que lê histórias. Que as sente e saboreia. Que as vive como uma epopeia! Que toma no seu colo a vida no seu estado mais puro, abraçando a vida nos seus braços. E mesmo que os braços teimem em ter cada vez menos força, por força do tempo, abraça sempre. Todos os dias! Pelas histórias pinta a vida de um modo singelo, em tons de azul e amarelo. Verde e vermelho. É aquele que em cada palavra tem um bom conselho. Ele dá a palavra e fomenta; dá voz e escuta... não desiste e vai a luta. É aquele que promove. O que dá asas e se comove: quando faz voar e p...

Ela não sabe brincar. E a culpa é tua!

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Tu não gostas de brincar!   Ontem decidi parar os meus afazeres “inerentes à profissão” para te observar enquanto brincavas. Limitei-me a observar-te. Sei que tinha imensas coisas planeadas para fazer contigo e com os teus amigos… Mas ontem limitei-me a observar-te a brincar.    E senti-te triste. Estavas tão triste.    Continuei a observar a tua simplicidade. O teu olhar ternurento, puro e sincero, revelava uma imensa tristeza.     Depois de pensar refleti. Qualquer profissional deve refletir sobre o que observa. Depois de refletir avaliei. Fiquei espantado com as conclusões a que cheguei.    É facto que todas as crianças são diferentes, que não têm os mesmos interesses nem as mesmas necessidades. E isto é (praticamente) um dogma no que à Educação de Infância diz respeito. Pelo menos é isto que escrevemos nos nossos projetos pedagógicos. Mas tu não foges à regra e também és diferente.    Tu não gos...

Manifesto contra o colega da porta do lado!

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Somos Educadores de Infância, seres perfeitos e imaculados, sem defeitos. Até ao momento em que o colega da porta do lado bate à nossa porta. Normalmente o colega da porta do lado é, um tanto ou quanto, estranho. Literalmente estranho. Muito estranho.      O colega da porta do lado está sempre a criticar o nosso trabalho. Acredito que seja limitado no pensamento. No seu dicionário só deve constar uma palavra: “Defeitos”. Ou, na melhor das hipóteses, talvez sejam duas: “Colocar Defeitos”.      O colega da porta do lado diz-me para experimentar outros caminhos. Mas que caminhos? Na Educação de Infância cada educador escolhe o caminho que considera mais adequado (e nisto o colega da porta do lado até concorda comigo, tenho de admitir). É por isto que escolho o meu caminho. Eu aprendi assim. E eu até tenho mais tempo de serviço.      O colega da porta do lado diz que eu devo ter a porta aberta, em todos os sentidos, literal e figurat...

Educadores aborrecidos educam crianças aborrecidas!

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Carta aberta de uma criança...aborrecida! Estou farta…!  Estou tão farta!   Estou farta de bonecos de neve. Os bonecos de neve deveriam ser abolidos do Jardim-de-Infância…e os flocos de neve também. No Jardim-de-Infância os bonecos de neve deveriam ser construídos se, e só se nós, crianças, fizéssemos uma visita à Serra da Estrela ou a Montalegre!     E também estou farta de celebrar a primavera em dias que parecem inverno! Porquê que me mandam celebrar a primavera sem nunca me terem levado a ver a primavera?! A cheirar a primavera?! A tocar na primavera?! A sentir a primavera! Mas o painel ficou bonito, os pais gostaram! E o coordenador também!    Ah. E por falar em painel... Também estou farta de tirar fotografias só para o painel. De participar nas atividades durante cinco segundos... só para a fotografia!      E estou farta de fazer flores de primavera… e coelhinhos da Páscoa… e pais natais… e coraçõezinhos… Aliás o p...

O que é ser Educador de Infância?

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           Não é fácil ser Educador de Infância. E quem julga que ser Educador de Infância é brincar o dia todo…julga muito bem. Quer dizer, não é bem assim, mas o ideal seria que o Educador passasse o dia todo a brincar com as crianças. Não será a infância o tempo e espaço privilegiado para valorizar e incentivar o brincar por brincar? Acredito que seja.       Ser Educador de Infância é ouvir o nosso nome ser chamado cerca de 1654 vezes por dia, gasto até à exaustão, sendo que em 500 dessas vezes nos chamam para assoar o nariz ou limpar o rabo – isto também é ser Educador de Infância. Em outras 300 vezes chamam-nos para apertar a bata. Ou tirar a bata para que as princesas possam desfilar com os seus vestidos reais pela passadeira da vida infantil. E ser Educador de Infância é ter a capacidade de responder às 1654 solicitações que as crianças nos fazem chegar diariamente.      Ser Educador de Infância é permitir q...

EDUCADORES (são) CUIDADORES

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         Por vezes o meu pensamento divaga em torno das minhas conceções sobre aquilo que é a Educação de Infância. Ainda não sei muito bem. Mas é esta reflexão que tento fazer, dia após dia, que me permite construir as minhas conceções sobre aquilo que é, ou deveria ser a Educação de Infância. É a reflexão sobre o meu modo de fazer que me faz desconstruir e reconstruir as minhas certezas pedagógicas, num conhecimento construído da, na e para a prática.       É comum em conversas entre profissionais, amigos, conversas entre desconhecidos, ou até conversas entre desconhecidos nossos conhecidos que vamos ouvindo por aí, compararem os Educadores de Infância a cuidadores de crianças, a pessoas que cuidam dos filhos dos outros. Regra geral, sentimo-nos ofendidos. Caramba, não tiramos um curso para cuidar de crianças. Não andamos a estudar anos e anos para ouvir isto. Tiramos um curso para ensinar, apoiar e desenvolver crianças. Noutras situações afi...