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Educação de Infância e PLANO ANUAL DE ATIVIDADES: que relação?

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    Inicia-se o ano letivo e as equipas educativas das creches e dos jardins-de-infância continuam a preparar a abertura do ano letivo e a ultimar os documentos orientadores que norteiam a prática educativa dos educadores de infância e dos estabelecimentos. De entre os vários documentos, há aqueles que são elaborados individualmente, como o Projeto Curricular de Grupo, e sobre o qual partilhei uma reflexão na semana anterior. Contudo, outros existem que são construídos colaborativamente entre os vários agentes educativos. O Plano Anual de Atividades é um documento que no início de ano letivo é discutido entre as equipas educativas em longas reuniões (que parecem intermináveis). Antes de refletirmos sobre este documento importa percebê-lo, ainda que sucintamente. O Plano Anual de Atividades, ao qual passarei a referir-me através da sigla PAA, é um documento que visa o planeamento de propostas de atividade e ação numa determinada instituição educativa. Este documento, qu...

Carta aberta de uma criança a um Educador que faz a diferença

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  Há dias em que chego a sorrir. Noutros venho com tanta energia que dificilmente alguém me conseguirá parar. Mas por vezes também chego triste, com algumas lágrimas a cair pelo rosto… aí o teu abraço faz toda a diferença no meu dia. É por isto que preciso de ti, para que faças a diferença na minha vida, não só quando chego pela manhã, mas em todas as horas e todos os dias em que estou e sou contigo. Sim, mais do que estar, preciso que me permitas ser. Aquilo que um dia serei começou a ser construído durante o tempo em que estive contigo. Por isso não olhes para mim apenas como “mais uma criança”. Quando crescer não quer ser apenas “mais um adulto”.   Sei que não tens tempo para me dar toda a atenção que, na verdade, gostava de ter, porque somos muitos e tu és apenas uma pessoa. Eu compreendo, não julgo e não cobro. Mas tenho de confessar que gosto quando em algum momento do dia me dás uns segundos da tua atenção sincera. Às vezes basta que repares na camisola nova que t...

EDUCAÇÃO DE INFÂNCIA, CURRÍCULO E FESTIVIDADES!

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  A especificidade da Educação de Infância em relação aos outros níveis educativos diferencia-se, sobretudo, pela existência de um currículo aberto e flexível. Por este motivo, a construção e desenvolvimento curricular está dependente de algumas variáveis: as crianças; o educador de infância e o seu modo de fazer pedagógico; o contexto sociocultural; os normativos legais; entre outras. Partindo da premissa anterior, percebemos que cada contexto e cada grupo de crianças é único, e o currículo que se desenvolve em cada sala é singular e ajustado a uma realidade em particular, pelo que nem sempre é possível ser reproduzido.  Em Educação de Infância não existe um currículo pronto-a-vestir. Por não haver programas, conteúdos ou temas obrigatórios e transversais ao trabalho de todos os educadores de infância, importa que estes, enquanto gestores desse currículo, pensem nas propostas didáticas com uma intencionalidade educativa. Enquanto educadores, devemos aproveitar algumas...

PORQUÊ QUE AINDA HÁ CRIANÇAS DE 1, 2 ou 3 ANOS A PINTAR DESENHOS?

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  Já nem me refiro aquelas que têm mais de 3 anos!  O que é que aprende uma criança de um ano ao pintar o desenho, por exemplo, de uma folha de outono? Uma criança que esteja no intervalo etário mencionado, tem consciência sobre aquilo que é o “pintar por dentro”? E mesmo que não tenham de “pintar por dentro”, porquê que usamos o desenho como forma de expressão da criança? A expressão não deveria ser livre? Ainda mais em crianças destas idades? Caberá numa folha A4 a expressão de uma criança pequena? Porquê (e para quê) que afixamos 15 folhas exatamente iguais na sala? Se são todas iguais, não bastaria apenas uma? Será que o facto de cada criança pintar o seu desenho, demonstra que tiveram uma participação ativa? Quando propomos um desenho a uma criança pequena, pretendemos que a criança seja criativa ou que se limite a fazer algo instruído? Como é que através da pintura de um desenho as crianças desenvolvem o traço e percebem o seu desenvolvimento? A terem de pi...

E SE UMA CRIANÇA BRINCAR SEMPRE NA MESMA ÁREA?

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Uma das competências que deve ser inata ao exercício da profissão do Educador de Infância é a observação. Observamos para planear, para agir e avaliar, em ciclos que se sustentam e sucedem. A observação que fazemos das crianças, no geral, e de cada criança, em particular, é a base que suporta e fundamenta a nossa intencionalidade educativa. A observação vai além daquilo que é o ato de olhar e ver. Apesar de ser um conceito aparentemente simples, a verdade é que em Educação de Infância, pela sua importância e transversalidade, a observação representa um tema vasto, que se torna difícil abordar em meia dúzia de parágrafos. Ainda assim, atrevo-me a fazê-lo, já que me parece pertinente refletir sobre a sua importância no nosso dia-a-dia, em particular sobre a nossa implicação nas escolhas das crianças. Diariamente somos confrontados com uma criança que gosta de brincar mais na área dos jogos; outra que prefere fazer construções tridimensionais; umas que se sentem mais predispostas pa...

Tributo aos Educadores de Infância

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Um Educador de Infância não é engenheiro, arquiteto, músico ou escultor. Não é médico nem bombeiro… E por muito que às vezes pareça, também não é enfermeiro. Um Educador é um Educador.  É aquele que consegue amar 25 crianças com um amor sem medida… Um amor que todos os anos vai e que todos os anos vem renovado sob a forma de novas mãos curiosas… Olhares atentos… Sorrisos contagiantes... pernas saltitantes! É aquele que lê histórias. Que as sente e saboreia. Que as vive como uma epopeia! Que toma no seu colo a vida no seu estado mais puro, abraçando a vida nos seus braços. E mesmo que os braços teimem em ter cada vez menos força, por força do tempo, abraça sempre. Todos os dias! Pelas histórias pinta a vida de um modo singelo, em tons de azul e amarelo. Verde e vermelho. É aquele que em cada palavra tem um bom conselho. Ele dá a palavra e fomenta; dá voz e escuta... não desiste e vai a luta. É aquele que promove. O que dá asas e se comove: quando faz voar e p...

Um dia vamos mudar a Educação de Infância...

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As canetas darão lugar aos pincéis.  Os lápis caídos da mão à tinta pelo chão. Haverá cor, muita cor... E não estou a falar de coisas e coisinhas, bonecos e bonequinhas, penduradas ao redor.  Os  painéis  aprumados, tão bem arranjados, darão lugar a paredes que reflitam as vozes das crianças. Só das crianças. (e os trabalhinhos que tão bem sabemos propor não contam!) As trezentas e sessenta e sete datas do calendário servirão apenas para termos a certeza do caminho que não queremos seguir. Haverá terra, muita terra. Saídas na serra. Haverá céu e chão. Passeios no paredão. E em cada criança haverá um cidadão com uma voz na multidão. Haverá vida. Sim, haverá vida. E se o mundo é feito de vida, por que não senti-la? Vivê-la? Haverá lutas no dia-a-dia sem medo de ferir alguma pedagogia. Com espadas e canhões. Polícias e ladrões. Príncipes que salvam princesas… presas em castelos ou fortalezas! As árvores substituirão escorregas… e os seus ramos,...

Quero fazer-vos sorrir, mais uma vez…

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Hoje não me vou preocupar com as presenças. Vocês nem sabem muito bem o porquê de, diariamente, fazerem uma cruz num quadro que não vos diz nada, ao qual não lhes dão qualquer utilidade, muito menos significado. Talvez nem eu. Não, hoje não. Hoje não me vou preocupar. Hoje também não quero que registem o tempo. Hoje quero apenas que o sintam. E também não quero que se preocupem com matemática quando estiverem a contar os dias de sol, os dias de chuva, os dias de nevoeiro, os dias de seca…. Hoje também não quero responsáveis. Voltemos ao antigamente e votemos de braço no ar…. na ação. No momento. Para cada situação! Hoje não vos quero ver com cara de bola: ora verdes, ora vermelhas e, quando calha, amarelas. Não. Hoje quero olhar para vocês além daquilo que vocês fazem, muito mais além daquilo que é o vosso comportamento. Quero olhar para aquilo que são. Não. Hoje não quero limitar o número de crianças que brincam nas vossas áreas. Sim, vossas... ...

Quando uma criança avalia um Educador de Infância...

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Parabéns!!! Superaste todas as expetativas que em ti havia depositado. Foste um adulto preocupado e empenhado. Um adulto de referência que dia após dia revelava a sua imponência. Ao nível do recorte estás bem desenvolvido. Consegues recortar coelhinhos da Páscoa como ninguém! E o mesmo posso dizer em relação às flores da primavera, aos bonecos de neve, aos corações do dia dos namorados que, amorosamente, penduras nas janelas. E quando não tens tempo para acabar estes "trabalhinhos" (que dão cá um trabalhão!) em tempo letivo, levas trabalho para casa, para fazeres ao serão! Ninguém faz ideia daquilo que um Educador ainda tem de fazer em casa! O teu traço fino está num patamar semelhante. É incrivelmente surreal a forma como, tão bem, contornas os meus desenhos com um marcador preto. Ao nível do desenho já ultrapassaste a fase da abstração, pelo que as tuas criações nas minhas folhas estão cada vez mais concretas, num nível muito positivo. Con...

ENSINA-ME A BRINCAR: Carta de uma criança atarefada.. ada ada ada!

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Gosto de ti. Quero começar por dizer-te que... gosto tanto de ti! Não é da mesma forma que gosto do meu pai ou da minha mãe, do meu cão ou do meu gato, nem será da mesma forma que gosto do meu peluche preferido ou da fralda à qual me agarro todas as noites antes de adormecer. Gosto de ti de uma forma diferente. Um gostar diferente num amor desmedido. Gosto de te ver todos os dias atarefado/a, de um lado para o outro e de um outro para o lado, com atividades, tarefas e experiências que religiosamente preparas para mim e para os meus amigos. Preocupas-te tanto connosco. Todos os dias tens algo novo para me oferecer. Contigo aprendo tanto! Lembras-te daquela atividade em que tivemos de escrever uma história sobre o sapo e o rato? Depois pediste-nos para desenhar a história. Eu fiz um desenho e tu disseste-me “Que lindo”. Aliás, tu dizes sempre “Que lindo”. E eu gosto quando me dizes “Que lindo!”. Contigo começo sempre o meu dia a 120km/h em rotinas e marcações, com cr...