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Em dia mundial da criança: Desculpa aos 25!

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  Desculpem. Por todas as vezes em que estive adormecido e fui um educador aborrecido. Pelas planificações que cumpri... apenas para cumprir. Por todas as vezes em que substituí a vossa aprendizagem pelo meu ensino. Por nem sempre ter tido a coragem de pensar em vocês. Por todas as vezes em que preferi ideias giras e fofinhas, vistas aqui ou acolá, em vez das ideias que mais importavam: as vossas. Pelas vezes em que limitei a vossa livre expressão, por causa do barulho que por vezes me incomodava, esquecendo-me que era esse o vosso viver. O vosso ser. Por todas as vezes em que queriam ir para a terra e eu disse que não. Por todas as vezes em que queriam ir para o exterior, ou melhor, quando mais precisavam, e eu disse que não. Pelas solicitações às quais não dei resposta. Por todas as vezes em que vos pedi para pintarem “por dentro”. E por todas as vezes em que não vos dei folhas do tamanho do mundo, para que expressassem o mundo tal como realmente o veem… e por todas as vezes em q...

ONDE ANDAM AS HISTÓRIAS?

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  Aquelas que, quando as lemos, envolvemos as crianças no nosso abraço. As que lemos apenas por ler, sem pensarmos naquilo que as crianças vão fazer a seguir. As que fazem rir… e sorrir. As histórias que não implicam forçosamente um reconto pelas crianças. Onde andam as histórias? As histórias em que as nossas vozes se transformam… E onde as nossas expressões passam a ser parte da história. As histórias com emoção, lidas ao coração. Com coração. Mais do que escolhê-las, as histórias que nos escolhem. Onde andam as histórias? As histórias que lemos antes de as contarmos, as que são preparadas antes de serem contadas. As que são lidas, sem que seja sugerido a construção de personagens com materiais recicláveis. Sem que haja uma sugestão com entoação do verbo mandar. Aquelas que preparamos com amor. Onde andam as histórias? As histórias que lemos sem nos preocuparmos com o tema que vamos "trabalhar" a seguir. As histórias que são lidas sem objetivos...

O JARDIM-DE-INFÂNCIA É UM JARDIM DE HISTÓRIAS

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Um jardim-de-infância é um jardim de histórias! Será sempre. As histórias dos livros. As histórias que cada criança traz consigo pela manhã. De todas e de cada uma. As que lhes contamos. As que nos saem da mente e lhes tocam no coração. As que as fazem sorrir. Aquelas que mexem connosco e nos fazem chorar. As histórias que as embalam e as aconchegam na melodia de u m abraço. Aquelas que as aquecem nos dias mais frios. As histórias que as adormecem. Histórias. Tantas histórias. Não há jardim-de-infância sem histórias.   Um Educador de Infância, Fábio Gonçalves

O que é preparar uma criança para o 1º Ciclo?!

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  O paradigma da preparação, assumido muitas vezes como um facilitador associado à transição das crianças entre o jardim-de-infância e o primeiro ciclo, pode ter duas leituras diferentes. Em primeiro lugar, se assumirmos a preparação como o trabalho que o Educador desenvolve ao nível da autonomia e da independência, da responsabilidade, do desenvolvimento do pensamento crítico, da capacidade da criança para argumentar e contra-argumentar, da resolução de conflitos e de problemas, da gestão de frustrações e emoções, da interação com os outros …. Então aí sim, esse tipo de “preparação” faz sentido. Mas esta não é uma preparação que tem como princípio facilitar a transição para o primeiro ciclo. Este conjunto de competências que as crianças desenvolvem ao longo do seu percurso (entre muitas outras), desde a creche ao jardim-de-infância, acabam por ser uma preparação que servirá de base a toda a escolaridade e a toda a vida . E nós sabemos o quão importante são as bases para o sucess...

A Educação de Infância não se resume à comemoração de datas!

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   A Educação de Infância não se resume à comemoração de datas. O regresso às instituições educativas, sejam creches, jardins-de-infância ou escolas, não aconteceram para que as crianças tivessem tempo para celebrar as múltiplas festividades do calendário. A vida numa creche ou jardim-de-infância vai muito além disto.   Depois de um confinamento, em que as crianças estiveram privadas de socializar, de interagir, de crescer e viver em companhia, há que cuidar das crianças. Neste momento há muitas crianças inseguras, emocionalmente instáveis. Enquanto educadores e professores, cabe-nos pensar na saúde mental das crianças e no que elas realmente precisam neste momento. Os Planos Anuais de Atividades podem esperar. A transformação da sala num atelier de construção em série, pode esperar. Tudo pode esperar, menos as verdadeiras necessidades das crianças. Tudo pode esperar, menos o nosso olhar atento.   E se é para celebrar a primavera, que não seja a p...

Estou aqui para ti - Para aqueles que regressam

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  Amanhã, quando abrires aquela porta, irás sentir que voltaste a viver. Ainda que com restrições, terás vontade de amar (mais!) e cuidar - cada vez melhor. Elas irão chegar junto a ti e tu… irás recebê-las como tão bem o sabes fazer! Só pelo brilho dos teus olhos qualquer criança saberá o que estás a pensar: “Estou aqui para ti!”. Estarás. Como sempre estiveste, quer tenha sido na sala ou atrás do ecrã. Algumas chegarão de braços abertos, prontos para te abraçar. Outras entrarão com um sorriso rasgado, com olhos brilhantes só por poderem voltar a ver-te. Por poderem estar contigo e partilhar os seus dias com alguém que as faz feliz: tu. Sim, o sorriso que as irá acompanhar pela manhã é por ti, porque lhes permites que sejam felizes, num espaço tão delas, e ao mesmo tempo tão vosso. Umas entrarão com alguma timidez, enquanto que outras começam o dia a explorar. A perguntar. A querer saber. Há tanto para fazer e tanto para brincar! Há amigos para rever, um mundo para descobrir e uma...

Observa-me

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  Na correria dos teus dias, olha para o meu brincar. Por breves instantes, todos os dias, para e observa-me. Este boneco, que hoje trago carinhosamente no meu colo já andou pendurado na minha mão. E estas batatas, meticulosamente colocadas na frigideira, já estiveram espalhadas pelo frigorífico. Estes disfarces, tão bem dobrados e que hoje me permitem ser o que eu quiser, já foram tapetes espalhados pelo chão. Aqueles livros, que agora leio embalado pela melodia das palavras, já foram discos voadores. E aquela tinta, que hoje me permite colorir e dar sentido ao (meu) mundo, já foi tinta espalhada pelo chão. Quanto a estes puzzles, aqui tão bem organizados, cada um na sua caixa, já foram uma confusão num tempo em que não os sabia montar. Observa-me. Quando olhas para mim, com disponibilidade para ver, consegues perceber a evolução do meu brincar. Observa-me. Porque quando olhas para mim, com a atenção que eu mereço e que só tu me sabes dar, sei que me vais ajuda...