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Um professor pode fazer a diferença na vida de uma criança!

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    Ali estava ela, sentada num humilde sofá, pronta para acompanhar mais uma aula à distância. Com o comp utador pousado sobre as pernas, que lhe havia sido entregue pela escola, acompanhava a aula online com grande atenção. Nunca tinha tocado num computador e naquele momento estava ali, a fazer e a ser parte desta era cada vez mais digital.      A contrastar com este desenvolvimento tecnológico, conseguia ver ao fundo alguns fios da eletricidade pendurados pelo teto, com instalações desenrascadas com o que havia por ali à mão.     Era uma família numerosa e, ao longo da aula, ia passando por ali um ou outro familiar. Como o computador tinha o som ligado, por vezes sentavam-se ao seu lado a ouvir, a tentar perceber o que acontecia e o que se aprendia numa aula.   Quando o professor a questionava sobre algo, a família ficava atenta para perceber se ela sabia e respondia corretamente. A cada resposta correta, acompanhada por um reforço po...

Carta aberta de uma criança a um Educador que faz a diferença

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  Há dias em que chego a sorrir. Noutros venho com tanta energia que dificilmente alguém me conseguirá parar. Mas por vezes também chego triste, com algumas lágrimas a cair pelo rosto… aí o teu abraço faz toda a diferença no meu dia. É por isto que preciso de ti, para que faças a diferença na minha vida, não só quando chego pela manhã, mas em todas as horas e todos os dias em que estou e sou contigo. Sim, mais do que estar, preciso que me permitas ser. Aquilo que um dia serei começou a ser construído durante o tempo em que estive contigo. Por isso não olhes para mim apenas como “mais uma criança”. Quando crescer não quer ser apenas “mais um adulto”.   Sei que não tens tempo para me dar toda a atenção que, na verdade, gostava de ter, porque somos muitos e tu és apenas uma pessoa. Eu compreendo, não julgo e não cobro. Mas tenho de confessar que gosto quando em algum momento do dia me dás uns segundos da tua atenção sincera. Às vezes basta que repares na camisola nova que t...

EDUCAÇÃO DE INFÂNCIA, CURRÍCULO E FESTIVIDADES!

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  A especificidade da Educação de Infância em relação aos outros níveis educativos diferencia-se, sobretudo, pela existência de um currículo aberto e flexível. Por este motivo, a construção e desenvolvimento curricular está dependente de algumas variáveis: as crianças; o educador de infância e o seu modo de fazer pedagógico; o contexto sociocultural; os normativos legais; entre outras. Partindo da premissa anterior, percebemos que cada contexto e cada grupo de crianças é único, e o currículo que se desenvolve em cada sala é singular e ajustado a uma realidade em particular, pelo que nem sempre é possível ser reproduzido.  Em Educação de Infância não existe um currículo pronto-a-vestir. Por não haver programas, conteúdos ou temas obrigatórios e transversais ao trabalho de todos os educadores de infância, importa que estes, enquanto gestores desse currículo, pensem nas propostas didáticas com uma intencionalidade educativa. Enquanto educadores, devemos aproveitar algumas...

PORQUÊ QUE AINDA HÁ CRIANÇAS DE 1, 2 ou 3 ANOS A PINTAR DESENHOS?

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  Já nem me refiro aquelas que têm mais de 3 anos!  O que é que aprende uma criança de um ano ao pintar o desenho, por exemplo, de uma folha de outono? Uma criança que esteja no intervalo etário mencionado, tem consciência sobre aquilo que é o “pintar por dentro”? E mesmo que não tenham de “pintar por dentro”, porquê que usamos o desenho como forma de expressão da criança? A expressão não deveria ser livre? Ainda mais em crianças destas idades? Caberá numa folha A4 a expressão de uma criança pequena? Porquê (e para quê) que afixamos 15 folhas exatamente iguais na sala? Se são todas iguais, não bastaria apenas uma? Será que o facto de cada criança pintar o seu desenho, demonstra que tiveram uma participação ativa? Quando propomos um desenho a uma criança pequena, pretendemos que a criança seja criativa ou que se limite a fazer algo instruído? Como é que através da pintura de um desenho as crianças desenvolvem o traço e percebem o seu desenvolvimento? A terem de pi...

E SE UMA CRIANÇA BRINCAR SEMPRE NA MESMA ÁREA?

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Uma das competências que deve ser inata ao exercício da profissão do Educador de Infância é a observação. Observamos para planear, para agir e avaliar, em ciclos que se sustentam e sucedem. A observação que fazemos das crianças, no geral, e de cada criança, em particular, é a base que suporta e fundamenta a nossa intencionalidade educativa. A observação vai além daquilo que é o ato de olhar e ver. Apesar de ser um conceito aparentemente simples, a verdade é que em Educação de Infância, pela sua importância e transversalidade, a observação representa um tema vasto, que se torna difícil abordar em meia dúzia de parágrafos. Ainda assim, atrevo-me a fazê-lo, já que me parece pertinente refletir sobre a sua importância no nosso dia-a-dia, em particular sobre a nossa implicação nas escolhas das crianças. Diariamente somos confrontados com uma criança que gosta de brincar mais na área dos jogos; outra que prefere fazer construções tridimensionais; umas que se sentem mais predispostas pa...

QUADROS DE PRESENÇA, DO TEMPO E OUTROS QUE TAIS!

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  Em contexto de creche e jardim-de-infância é comum utilizarem-se vários instrumentos de registo e gestão da vida do grupo: quadros para marcação das presenças; registo do tempo; distribuição de tarefas; marcação do calendário; sinalização de aniversários; entre outros.  A escolha que fazemos destes instrumentos deve ser resultado de um processo reflexivo sobre as suas potencialidades no desenvolvimento das crianças. De um modo geral, estes quadros que utilizamos não podem estar afixados na sala só porque sim, só porque os achamos bonitos ou porque é algo que toda a gente faz. Optar por um quadro de registo que será utilizado pelas crianças no seu dia-a-dia deve ter, antes de tudo, uma intencionalidade educativa e, não menos importante, uma utilidade real para a vida do grupo e de cada criança. Antes de o utilizarmos, importa que pensemos nos objetivos que se pretende alcançar com a sua aplicação em contexto grupal: - Porquê utilizar este quadro? - Que utilidade terá? - Que...

Em dia mundial da criança: Desculpa aos 25!

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  Desculpem. Por todas as vezes em que estive adormecido e fui um educador aborrecido. Pelas planificações que cumpri... apenas para cumprir. Por todas as vezes em que substituí a vossa aprendizagem pelo meu ensino. Por nem sempre ter tido a coragem de pensar em vocês. Por todas as vezes em que preferi ideias giras e fofinhas, vistas aqui ou acolá, em vez das ideias que mais importavam: as vossas. Pelas vezes em que limitei a vossa livre expressão, por causa do barulho que por vezes me incomodava, esquecendo-me que era esse o vosso viver. O vosso ser. Por todas as vezes em que queriam ir para a terra e eu disse que não. Por todas as vezes em que queriam ir para o exterior, ou melhor, quando mais precisavam, e eu disse que não. Pelas solicitações às quais não dei resposta. Por todas as vezes em que vos pedi para pintarem “por dentro”. E por todas as vezes em que não vos dei folhas do tamanho do mundo, para que expressassem o mundo tal como realmente o veem… e por todas as vezes em q...