QUADROS DE PRESENÇA, DO TEMPO E OUTROS QUE TAIS!

 

Em contexto de creche e jardim-de-infância é comum utilizarem-se vários instrumentos de registo e gestão da vida do grupo: quadros para marcação das presenças; registo do tempo; distribuição de tarefas; marcação do calendário; sinalização de aniversários; entre outros. 

A escolha que fazemos destes instrumentos deve ser resultado de um processo reflexivo sobre as suas potencialidades no desenvolvimento das crianças. De um modo geral, estes quadros que utilizamos não podem estar afixados na sala só porque sim, só porque os achamos bonitos ou porque é algo que toda a gente faz.

Optar por um quadro de registo que será utilizado pelas crianças no seu dia-a-dia deve ter, antes de tudo, uma intencionalidade educativa e, não menos importante, uma utilidade real para a vida do grupo e de cada criança.

Antes de o utilizarmos, importa que pensemos nos objetivos que se pretende alcançar com a sua aplicação em contexto grupal:

- Porquê utilizar este quadro?

- Que utilidade terá?

- Que formato deverá ter?

- Qual o significado que as crianças lhe atribuirão? 

- Que oportunidades de desenvolvimento promove?

As nossas práticas com as crianças devem ter sempre intenções educativas e de desenvolvimento claras, pelo que devemos adotar uma postura de questionamento sobre aquilo que propomos e fazemos, numa perspetiva de melhoria e transformação.

Paralelamente a isto, é essencial que consigamos fundamentar a nossa opção pedagógica na escolha de um determinado instrumento, que pode ser através do conhecimento teórico que nos apropriamos com as leituras que fazemos sobre educação de infância, mas também pelo conhecimento que cada um de nós constrói a partir da investigação que faz da sua própria prática e da sua experiência profissional. Enquanto educadores de infância, profissionais especializados em pedagogia na infância, somos também investigadores e produtores de conhecimento (talvez nos falte escrever mais sobre o que fazemos).  

Neste sentido, antes de optarmos pela utilização de um qualquer instrumento, é fundamental que esse espelhe uma intencionalidade educativa e que seja o reflexo do nosso “eu” profissional e do nosso modo de fazer pedagógico.

Na construção deste tipo de instrumentos podemos ter uma preocupação com a sua estética, desde que esta não assuma uma função meramente decorativa, mas organizacional. Um quadro de presenças não precisa de ter abelhinhas só para decorar. Mas é importante que a sua organização promova o desenvolvimento de múltiplas competências.

As potencialidades destes instrumentos, quando escolhidos com critério e intenção, são vastas e transversais às diferentes áreas, permitindo ampliar oportunidades de desenvolvimento. De entre elas, em jeito de exemplo, destaco a associação que existe entre estes registos e o trabalho em torno da matemática.

É um facto que na educação de infância as crianças adquirem competências e saberes matemáticos pela resolução de problemas que surgem no seu quotidiano diário, sendo aqui que se inicia uma relação mais próxima com a matemática, de forma lúdica e sem que haja uma pressão direta na relação ensinar-aprender. A utilização de um quadro de presenças, do tempo, de atividades, ou outro, deve acontecer a partir de uma necessidade e, mais uma vez, utilidade. 

A utilização de instrumentos de registo e gestão da vida do grupo assume-se como uma estratégia promotora de desenvolvimento, de forma intencional, bem como facilitadora da emergência da matemática, através de uma rotina com sentido e significado.  

Esta relação com a matemática (ou outra área) está dependente do Educador de Infância e das estratégias que este utiliza para promover o questionamento e para incentivar a resolução de problemas, numa lógica de Educação Matemática.

 Enquanto Educadores de Infância, parece-me que seja fundamental que pensemos cada vez mais nas intenções que sustentam a utilização de determinados instrumentos de regulação da vida diária das crianças, em contexto de creche ou jardim-de-infância. Mais do que pensarmos em instrumentos bonitos e aprumados, devemos refletir sobre a forma como os utilizamos e em como as crianças irão construir significados pela sua utilização; sobre a forma como estes surgem na sala e como as crianças se apropriam deles; as competências que permitirão às crianças desenvolver; bem como sobre qual será a sua verdadeira utilidade. Sim, porque se está lá é para ser útil e deve ser resposta a uma necessidade emergente.

Independentemente dos instrumentos que usemos, importa que façam sentido para o grupo, que estejam alinhados com os pressupostos que defendemos e com o nosso modo de fazer . Os instrumentos que usamos para regular o dia-a-dia na sala devem ser, acima de tudo, promotores de oportunidades de aprendizagem.

 

Boas reflexões!

Um Educador de Infância,

Fábio Gonçalves

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